Era para ser sobre um filme, mas será sobre uma série. A série Mad Man, da HBO. Será polêmico, eu prometo.
Resumo básico: a série, producao recém exibida pela HBO, sucesso de público, retrata o mundo publicitário da década de 60/70. Em meio às turbulentas mudanças sociais e quebras de paradigmas, a produção revela um mondo sórdido, movido a bebida, sexo não consentido, banalizacao da mulher e dos valores da família. O personagem principal, Don Draper, é um Diretor de Criacao, corrupto e corruptor, que se mostra oportunista, falseador de emoções e que justifica tudo isso com o nascimento tortuoso, fruto de um relacionamento paterno extra-conjulgal.
Ovacionada pela crítica como a mais fil produção a retratar o mundo.publicitário, a serie, para mim, relez jornalista, pobre em conteúdo e deturpadora da sociedade. Além, é claro, de transformar a publicidade em um monte de pobres profissionais, que bebem e fumam o dia inteiro, trepam com suas secretarias como de estas fossem objetos e, no meio de tufo isso, tem idéias fantásticas, as quais modificarão o mode de ver das pessoas com relação aos produtos anunciados.
Triste é saber que o mundo se retrata assim e mais triste ainda saber que os colegas da área de comunicação se vêm, assim, tão rasteiros, incapazes de abstrações mais, digamos assim, substantivas.
Talvez seja por isso que as áreas não tenham Representações que consigam proteger seus direitos; talvez seja por isso que as classes sejam tão desvalorizadas; talvez; talvez seja por isso que estejamos sujeitos às vississitudes do mercado, criando projeções fantasmagóricas do que poderia ser uma publicidade de qualidade. E, talvez, e eu espero mesmo que seja apenas talvez, que tantos comunicadores sejam infelizes com o completo esvaziamento dos seus espíritos.
Triste comunicação está, que não me representa em nada.
terça-feira, 23 de junho de 2015
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Eu gosto de ser mulher ou o monstro da perna cabeluda.
Eu sou pelo direito. Sempre o fui. Gosto de ponderar acerca das esferas que envolvem direitos e deveres e, ainda mais, de respeitar o espaço do outro. Por fim, sou contra todo e qualquer radicalismo. Aliás, essa é frase feita para mim. Radicalismo, todo ele, é burro e escraviza. Insere o sujeito numa redoma de certezas irrefutáveis mas que, em verdade, são falíveis e desumanas. E vazias de humanidade o são por desrespeitarem a capacidade fantástica do ser humano em ser múltiplo - um monte de consciências erigidas nas experiências acumuladas em anos de existência, resistência e luta.
Aprofundando-me nos diversos ramos do direito, enfatizei em mim, muito mais, essas certezas e pude constatar que - é verdade -, o direito de um indivíduo, para existir, precisa embasar-se no cumprimento dos deveres por todos os outros. Essa é, por fim, a tônica do equilíbrio e da harmonia, sem as quais as sociedades voltariam aos tempos da barbárie. A nossa sociedade, entretanto, padece de um desequilíbrio demasiado e triste, no qual as pessoas - homens e mulheres -, anularam-se em lutas as quais perderam a sua essência primeira - a de trazer a paz.
Tudo isso aplica-se muito bem ao feminismo e ao machismo, por exemplo. Dois modelos falidos e autofágicos, que estão ajudando a criar seres humanos ainda mais doentes e desarrazoados. Mulheres, ao que me parece, perderam, enfim, o feminismo que as caracterizava. Contraditório?! Creio que não. Todas as lutas do movimento feminista foram criadas no intuito de elevar a mulher, este ser fantástico, repleto de vida, à condição de igualdade com os homens. E foram válidas, por certo. Lutamos pelo direito de trabalhar, de votar, de ser livre. Lutamos pelo direito de dar pra quem quiser, de usar nosso dinheiro como bem entendermos. Entretanto, lutando por esse igualdade inalcançável, passamos do ponto. E, de novo, me vem o questionamento: até onde vai o nosso direito?
Conquistamos o direito de dar pra quem quiser, e isto é ótimo. Libertador, gostoso e prático. Entretanto, e eis aqui novamente a máxima do direito, todo e qualquer bônus tem também o seu ônus, sua obrigação. Acerca dessa polêmica questão do aborto: seria justo, com quem foi criado sem razoabilidade, justamente por isso pagar com a própria vida?! Somos, assim, donas do corpo e da vida de outrem? Outra questão: para sermos iguais aos homens temos mesmo que ter cabelos no sovaco, pernas cabeludas e cabelos desgrenhados? Serei eu menos mulher se gostar de delineador, lingerie e salto alto? Todo esse radicalismo me leva a crer que estamos nos transformando em qualquer outra coisa, menos em mulheres.
Em minhas conversas com outras comadres, eu enxergo mulheres aturdidas com a total incapacidade de acompanhar seus próprios filhos. São as mesmas que se torturam por não terem mais tempo de cuidar da casa, do corpo e da própria vida. Tornam-mo-nos escravas de todo esse radicalismo. Como dizem por aqui: tudo hoje é "na pressão".
Como já disse, sou pela ponderação. Curto trabalhar e ter minha grana com a mesma intensidade que amo cuidar do meu filho, assim como do meu marido. Adoro salto alto, academia, maquiagem, pernas e virilhas bem limpinhas e, ainda, cabelão. Idolatro as mulheres que nos trouxeram aqui - as lutadoras do 8 de março e a dona de casa que, outrora, cuidava com amor e carinho de muitos e muitos filhos e agregados. Acho que radicalizar é ter coragem de misturar em uma só existência a loba e a mulherzinha; a trabalhadora e a dona de casa; a santa e a diabinha. Nessa dicotomia creio que encontrei minha resistência, minha resiliência e minha derradeira estrada. E não me arrependo em nada de ser assim, contraditória: para alguns refém da sociedade, para mim MULHER poderosa e altruísta.
Eu gosto de ser mulher. E daí?
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Enfim...
Minhas DRs com Deus têm sido constantes. Eu falo e sei que, pacientemente, ele escuta, pois são muitas as reclamações. As indagações são muitas, em número muito superior aos agradecimentos, devo confessar. E isso me angustia.
Afinal de contas, nós deveríamos sempre agradecer. Agradecer por mais um dia, por esta nova oportunidade de viver os tais 86 mil segundos que nos são confiados rotineiramente. Glorificar a chance de sorver a vida em sua plenitude, seja ela qual for. Acontece - e isso acontece com todo mundo -, que existem os desejos, muito acima das necessidades, e estes sim despertam, em nós, a necessidade de uma busca incansável.
Aos 33, eu cansei de ser hipócrita. Tenho corrido muito, andado bem esboforida e, quase sempre, tenho dado com a cara na parede. Ou com os burros n'água, pra usar de expressões mais regionais. Me irrita a arrogância de quem não corre e ganha; não me desce o sutil olhar superior de quem está chegando lá. Internamente, eu me fito nesse espelho desfocado e tenho a sensação de que não estou nem perto. Na verdade, e isso é uma merda, a sensação que eu tenho é de correr e nunca - nunca -, sair do lugar.
Dia desses eu tive uma conversa de pé de orelha com Deus. Chamei-o na chincha, como dizem. Um sem número de porquês invadiu aquela conversa que deveria ser só minha. Pois é. Os porquês roubam minha existência - turbulentos, truculentos, malditos. E malditas sejam as palavras que, vomitadas, dizem tudo e não dizem nada.
Mas, vamos lá. Dizem que gratidão é um exercício, um hábito a ser cultivado diariamente. Dizem, também, que mesmo aparentando não existirem razões, nós devemos inventar, se preciso for, motivos para agradecer. Ok, eu não preciso chegar a tanto.
Eu agradeço pelos sorrisos do meu filho, sempre tão claros e impulsionadores; agradeço por sua vida ter despertado em mim a coragem de gritar que, sim, eu quero mais do que a vida tem me oferecido. Agradeço por poder estar próxima a meus pais e por poder retribuir, da forma que me é possível, todo apoio até aqui; e agradeço até mesmo essa capacidade louca de nunca me conformar com o conformismo. Se tem sido difícil encontrar motivos pra sorrir a gente toma uma cerveja e fica tudo bem, Tudo zen.
Entenda. Não é egoísmo, chantagem, vitimismo, meninisse, safadeza, conformismo ou moleza. É, talvez, melancolia, temperada com um tiquinho de tristeza, salteada com uma vontade imensa e urgente de ser feliz. De ser sempre o que se quis. De empinar o nariz e bradar nossas conquistas. De não ser mais artista. De não precisar ser artífice dos próprios sorrisos. Mas, como eu já disse: se tem sido difícil encontrar motivos pra sorrir, a gente toma uma cerveja e fica tudo bem. Tudo zen.
Enfim
Afinal de contas, nós deveríamos sempre agradecer. Agradecer por mais um dia, por esta nova oportunidade de viver os tais 86 mil segundos que nos são confiados rotineiramente. Glorificar a chance de sorver a vida em sua plenitude, seja ela qual for. Acontece - e isso acontece com todo mundo -, que existem os desejos, muito acima das necessidades, e estes sim despertam, em nós, a necessidade de uma busca incansável.
Aos 33, eu cansei de ser hipócrita. Tenho corrido muito, andado bem esboforida e, quase sempre, tenho dado com a cara na parede. Ou com os burros n'água, pra usar de expressões mais regionais. Me irrita a arrogância de quem não corre e ganha; não me desce o sutil olhar superior de quem está chegando lá. Internamente, eu me fito nesse espelho desfocado e tenho a sensação de que não estou nem perto. Na verdade, e isso é uma merda, a sensação que eu tenho é de correr e nunca - nunca -, sair do lugar.
Dia desses eu tive uma conversa de pé de orelha com Deus. Chamei-o na chincha, como dizem. Um sem número de porquês invadiu aquela conversa que deveria ser só minha. Pois é. Os porquês roubam minha existência - turbulentos, truculentos, malditos. E malditas sejam as palavras que, vomitadas, dizem tudo e não dizem nada.
Mas, vamos lá. Dizem que gratidão é um exercício, um hábito a ser cultivado diariamente. Dizem, também, que mesmo aparentando não existirem razões, nós devemos inventar, se preciso for, motivos para agradecer. Ok, eu não preciso chegar a tanto.
Eu agradeço pelos sorrisos do meu filho, sempre tão claros e impulsionadores; agradeço por sua vida ter despertado em mim a coragem de gritar que, sim, eu quero mais do que a vida tem me oferecido. Agradeço por poder estar próxima a meus pais e por poder retribuir, da forma que me é possível, todo apoio até aqui; e agradeço até mesmo essa capacidade louca de nunca me conformar com o conformismo. Se tem sido difícil encontrar motivos pra sorrir a gente toma uma cerveja e fica tudo bem, Tudo zen.
Entenda. Não é egoísmo, chantagem, vitimismo, meninisse, safadeza, conformismo ou moleza. É, talvez, melancolia, temperada com um tiquinho de tristeza, salteada com uma vontade imensa e urgente de ser feliz. De ser sempre o que se quis. De empinar o nariz e bradar nossas conquistas. De não ser mais artista. De não precisar ser artífice dos próprios sorrisos. Mas, como eu já disse: se tem sido difícil encontrar motivos pra sorrir, a gente toma uma cerveja e fica tudo bem. Tudo zen.
Enfim
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Eu, artista (!?!?)
(Pablo Picasso)
Às vezes eu me sinto burra. Quase que uma toupeira. Confabulo comigo mesma pequenas discussões acerca do universo e nada. Não sai nada, Travada. Embotada. Geralmente isso acontece quando estou longe de mim, da minha alma de artista que, coitada, anda contrita, frente às exigências dessa vida atribulada. E, assim, quando estou apartada da arte, sou desligada, também, da própria vida.
A razão é que eu cresci ao som e com as imagens dos grandes, dos melhores. Minhas trilhas sonoras foram dos Chicos (o Buarque, o Science e o César); minhas canções de ninar foram entoadas por Gal, Caetano e Peninha. E até as gravuras que me fizeram ser assim, "distorcida", eram de gentes agigantadas como a Tarsila e o Picasso. São íntimos das minhas intimidades, artistas das minhas telas mentais encardidas.
Acontece que nós, artistas, não somos vistos com bons olhos. Geralmente (quando digo geralmente, quero dizer quase sempre, ou sempre no frigir dos ovos), esse substantivo de três sílabas encharcado de significado vem acompanhado pelas palavras "vagabundo" e "desocupado". Foi assim que, para driblar a vida e encaixar-me nas expectativas desse mundo bitolado, tornei-me eu, jornalista, artista das palavras, artífice dos fatos.
Mas a verdade é que, no âmago da coisa, sou mesmo das artes. Amo as cores e suas nuances; gosto de que é belo - de ser bela e de apreciar a beleza; prefiro os sons harmônicos à estridência cafona dos nossos tempos; me impressiono facilmente com a capacidade bélica de uma simples poesia. Gosto de levar cor, beleza e melodia para todos os cantos. Mas eu vivo na realidade. Nela, é preciso produzir, ter sucesso (profissional e econômico), pagar as contas e atender às enormes expectativas nossas e de todo mundo. Por isso esse conflito eterno - a batalha épica entre quem eu preciso ser e a minha alma lépida.
Assim, quando eu me sinto burra, açoitada mesmo pela dureza da vida, eu leio um livro, vomito numa página em branco, grito no silêncio de uma canção estapafúrdia a fim de apaziguar os endiabrados que insistem em libertar essa minha parte divertida. É preciso ser comedida. É preciso encontrar equilíbrio entre a mãe, a mulher, a profissional e a artista. E aprender o malabarismo dantesco para não destruir a própria existência.
Contrariando o João Bosco, eu não sou de virgem, mas tenho alma de artista, tremores nas mãos e... eita! Preciso mesmo ir ao dentista.
Às vezes eu me sinto burra. Quase que uma toupeira. Confabulo comigo mesma pequenas discussões acerca do universo e nada. Não sai nada, Travada. Embotada. Geralmente isso acontece quando estou longe de mim, da minha alma de artista que, coitada, anda contrita, frente às exigências dessa vida atribulada. E, assim, quando estou apartada da arte, sou desligada, também, da própria vida.
A razão é que eu cresci ao som e com as imagens dos grandes, dos melhores. Minhas trilhas sonoras foram dos Chicos (o Buarque, o Science e o César); minhas canções de ninar foram entoadas por Gal, Caetano e Peninha. E até as gravuras que me fizeram ser assim, "distorcida", eram de gentes agigantadas como a Tarsila e o Picasso. São íntimos das minhas intimidades, artistas das minhas telas mentais encardidas.
Acontece que nós, artistas, não somos vistos com bons olhos. Geralmente (quando digo geralmente, quero dizer quase sempre, ou sempre no frigir dos ovos), esse substantivo de três sílabas encharcado de significado vem acompanhado pelas palavras "vagabundo" e "desocupado". Foi assim que, para driblar a vida e encaixar-me nas expectativas desse mundo bitolado, tornei-me eu, jornalista, artista das palavras, artífice dos fatos.
Mas a verdade é que, no âmago da coisa, sou mesmo das artes. Amo as cores e suas nuances; gosto de que é belo - de ser bela e de apreciar a beleza; prefiro os sons harmônicos à estridência cafona dos nossos tempos; me impressiono facilmente com a capacidade bélica de uma simples poesia. Gosto de levar cor, beleza e melodia para todos os cantos. Mas eu vivo na realidade. Nela, é preciso produzir, ter sucesso (profissional e econômico), pagar as contas e atender às enormes expectativas nossas e de todo mundo. Por isso esse conflito eterno - a batalha épica entre quem eu preciso ser e a minha alma lépida.
Assim, quando eu me sinto burra, açoitada mesmo pela dureza da vida, eu leio um livro, vomito numa página em branco, grito no silêncio de uma canção estapafúrdia a fim de apaziguar os endiabrados que insistem em libertar essa minha parte divertida. É preciso ser comedida. É preciso encontrar equilíbrio entre a mãe, a mulher, a profissional e a artista. E aprender o malabarismo dantesco para não destruir a própria existência.
Contrariando o João Bosco, eu não sou de virgem, mas tenho alma de artista, tremores nas mãos e... eita! Preciso mesmo ir ao dentista.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Insegurança e Terror na terra do oba-oba
Sempre fui desenrolada. Pegava ônibus a hora que fosse, ia pras festas encontrar azmiga e adorava fazer passeios antropológicos por feiras livres e mercados públicos. Nunca tive medo de cruzar, nas ruas, com os "trombadinhas" que lotam as calçadas do Recife. Para mim, eles já compunham a "paisagem natural" da cidade, deixando latente a imensa disparidade econômica entre as diversas classes sociais. Nunca tive medo - até que fui mãe.
A insegurança da Veneza Pernambucana foi um dos motivos que me fez largar tudo para ficar em casa, reclusa, imbuída apenas no ofício de ser mãe. Tinha medo de deixar a cria com uma babá e, de repente, tê-lo extirpado de mim; temia pela falta de zelo de alguém que, internamente, não amava o meu filho, apenas o dinheiro que lhe rendia. Enfim, tinha medo de tudo, inclusive da vida.
Minhas experiências, por certo, não me foram gratas. Das três babas que encontrei para Heitor, duas foram um completo desastre. A primeira chegou ao ponto de vir trabalhar bêbada e eu quase perdi as estribeiras. A segunda teve a capacidade de fingir de lhe dava alimento para parecer uma encantadora de um bebê pouco afeito a comida. A terceira, por fim, foi um bálsamo de alegria e tranquilidade. Foi graças a ela que eu consegui cortar o cordão umbilical e voltar a pensar em trabalho.
Este ano, já na faixa dos 3 de idade, colocamos Heitor, pela primeira vez, na escola. A escolhida foi uma bem pertinho da nossa casa, o que me permite levá-lo e buscá-lo a pé. Um tranquilizante, tendo em vista o transito crucificador de Recife e a falta de confiança num transporte escolar de qualidade.
Lendo o texto de Janine, acerca de segurança e pontualidade, peguei-me pensando sobre como é bom poder fazer isso - eu mesma ir levá-lo e buscá-lo -, e, por outro lado, como é frustrante sentir tanto medo. Morando no Espinheiro, bairro (tomadas as devidas proporções) privilegiado, eu deveria sentir-me mais protegida, mas não é isso que acontece. Dia desses, por exemplo, ao ir pegá-lo quando do fim da aula, cruzei com um grupo de trombadões que, ainda por cima, cheiravam cola. Apressei o passo e fiquei pensando como seria quando tivesse que passar por ali, na volta, com meu filho andando com seus passinhos curtos. Medo e revolta crescentes
Certo dia também atrasei-me. Perdi a hora e saí cerca de 10 minutos atrasada de casa. Quando, enfim, cheguei para buscá-lo, ele estava desconsolado no canto da sala, com um olhar distante e triste. Ao me ver seu rosto se iluminou. E com sua pouca idade ele lançou-me a frase que seria, para mim, como um soco no estômago - mamãe, eu pensei que você havia me esquecido. Semana passada, um amiguinho de Heitor foi esquecido pela condução. Estranhando a demora para ir buscá-lo, a escola entrou em contato com os pais e explicou o ocorrido. Imagino a aflição da mãe ao ouvir seu filhinho aos prantos, acreditando que tinha sido deixado ali, de propósito.
Aqui perto eu e meu irmão já fomos assaltados. Era noite e esquecemos as janelas do carro abertas quando, de repente, fomos abordados por dois ladrões. Ainda bem que ficamos serenos e eles quiseram apenas o celular. Mas esse pequeno episódio nos deu a devida dimensão de que, de fato, em se tratando de Brasil, não estamos seguros em lugar algum. Essa sensação de terror somente aumenta quando a gente pára e assiste aos telejornais - os locais e os nacionais. Posso jurar que, caso fosse possível, se apertássemos o TV um bocadinho, sairia dali alguns milhares de litros de sangue.
E essa sensação de insegurança e de medo constante é que me revolta. Por que não podemos, também no Brasil, ter a certeza de andarmos nas ruas sem sermos reféns do terror? Por que precisamos aceitar sermos prisioneiros de nossas próprias casas? Por que não podemos utilizar o espaço público sem medo de assaltos, sequestros, balas perdidas, violência gratuita e toda sorte de violação dos nossos direitos enquanto cidadãos e seres humanos?!
A insegurança da Veneza Pernambucana foi um dos motivos que me fez largar tudo para ficar em casa, reclusa, imbuída apenas no ofício de ser mãe. Tinha medo de deixar a cria com uma babá e, de repente, tê-lo extirpado de mim; temia pela falta de zelo de alguém que, internamente, não amava o meu filho, apenas o dinheiro que lhe rendia. Enfim, tinha medo de tudo, inclusive da vida.
Minhas experiências, por certo, não me foram gratas. Das três babas que encontrei para Heitor, duas foram um completo desastre. A primeira chegou ao ponto de vir trabalhar bêbada e eu quase perdi as estribeiras. A segunda teve a capacidade de fingir de lhe dava alimento para parecer uma encantadora de um bebê pouco afeito a comida. A terceira, por fim, foi um bálsamo de alegria e tranquilidade. Foi graças a ela que eu consegui cortar o cordão umbilical e voltar a pensar em trabalho.
Este ano, já na faixa dos 3 de idade, colocamos Heitor, pela primeira vez, na escola. A escolhida foi uma bem pertinho da nossa casa, o que me permite levá-lo e buscá-lo a pé. Um tranquilizante, tendo em vista o transito crucificador de Recife e a falta de confiança num transporte escolar de qualidade.
Lendo o texto de Janine, acerca de segurança e pontualidade, peguei-me pensando sobre como é bom poder fazer isso - eu mesma ir levá-lo e buscá-lo -, e, por outro lado, como é frustrante sentir tanto medo. Morando no Espinheiro, bairro (tomadas as devidas proporções) privilegiado, eu deveria sentir-me mais protegida, mas não é isso que acontece. Dia desses, por exemplo, ao ir pegá-lo quando do fim da aula, cruzei com um grupo de trombadões que, ainda por cima, cheiravam cola. Apressei o passo e fiquei pensando como seria quando tivesse que passar por ali, na volta, com meu filho andando com seus passinhos curtos. Medo e revolta crescentes
Certo dia também atrasei-me. Perdi a hora e saí cerca de 10 minutos atrasada de casa. Quando, enfim, cheguei para buscá-lo, ele estava desconsolado no canto da sala, com um olhar distante e triste. Ao me ver seu rosto se iluminou. E com sua pouca idade ele lançou-me a frase que seria, para mim, como um soco no estômago - mamãe, eu pensei que você havia me esquecido. Semana passada, um amiguinho de Heitor foi esquecido pela condução. Estranhando a demora para ir buscá-lo, a escola entrou em contato com os pais e explicou o ocorrido. Imagino a aflição da mãe ao ouvir seu filhinho aos prantos, acreditando que tinha sido deixado ali, de propósito.
Aqui perto eu e meu irmão já fomos assaltados. Era noite e esquecemos as janelas do carro abertas quando, de repente, fomos abordados por dois ladrões. Ainda bem que ficamos serenos e eles quiseram apenas o celular. Mas esse pequeno episódio nos deu a devida dimensão de que, de fato, em se tratando de Brasil, não estamos seguros em lugar algum. Essa sensação de terror somente aumenta quando a gente pára e assiste aos telejornais - os locais e os nacionais. Posso jurar que, caso fosse possível, se apertássemos o TV um bocadinho, sairia dali alguns milhares de litros de sangue.
E essa sensação de insegurança e de medo constante é que me revolta. Por que não podemos, também no Brasil, ter a certeza de andarmos nas ruas sem sermos reféns do terror? Por que precisamos aceitar sermos prisioneiros de nossas próprias casas? Por que não podemos utilizar o espaço público sem medo de assaltos, sequestros, balas perdidas, violência gratuita e toda sorte de violação dos nossos direitos enquanto cidadãos e seres humanos?!
terça-feira, 19 de maio de 2015
Deliciosamente... 30! (tá bom! 33!)
Repita 33. É isso
que eu tenho feito, insistentemente, para acreditar que, enfim,
cheguei aos 30. Passei dos trinta. Posso jurar que há segundos atrás
eu tinha vinte e poucos e era uma tonta qualquer, sonhando com uma
vida de cinema. Se lá trás, na casa dos vinte, eu tivesse a cabeça
que tenho hoje, teria, com toda a certeza, conquistado o mundo. Mas
estou no processo.
Depois de me
acostumar com o som estranho dessas seis letrinhas – T-R-I-N-T-A-,
parei de enxergar as rugas, novas companheiras, e passei a ir ao encontro do
que de bom há para se buscar nesta fronteira inexplorada. Ao parar
para ver o que há de bom, eu tive gratas surpresas.
Descobri que, depois
dos trinta, a liberdade é maior. Liberdade em todas as suas nuances
– sexual, verbal, de pensamento, de crença e de um vá se foder
fantástico. Liberdade de dizer não e de libertar-se do que
escraviza e faz sofrer. Perdi muito tempo dos meus vinte e poucos com
pessoas que açoitaram minha alma e embotaram minha evolução. Agora
ando pra frente, cabeça erguida e um porrete em riste, pronto pra
assolapar quem quiser me encher o saco.
A sensação de ter
perdido tempo, de repente, começa a esvair-se e a dar lugar a uma
energia transformadora. Aos trinta, me descobri mais forte, apesar de
não menos chorona; compreendi que sempre há tempo para recomeçar,
apesar de todos os tropeços; entendi que a vida é uma só e que é
preciso, sim, aproveitar os pequenos prazeres; e que até o casamento
fica mais interessante quando a gente se permite ter 33. Ow yes,
baby!
Balzaquiana que sou
(licença poética, Janine!), desenvolvi um humor sarcastico
deliciosamente endiabrado. Acumulei conhecimento, o que, por certo,
me tornou em uma mulher muito mais interessante. Me enxergo mais
sensual, mais bonita – apesar das gordurinhas que me acompanham,
intrometidas -, tenho mais ciência do meu corpo e do que é legal
para mim. Sei o que quero, para onde vou e o que fazer para chegar lá
(pelo menos eu acho que sei). O fato é que, a caminho dos enta,
perdida não estou. Se sou loba?! Francamente: tudo é questão de
ponto de vista.
domingo, 10 de maio de 2015
Sexo é imaginação....
Era para falar de sexo, esse era o desafio. Mas, entretanto, contudo e todavia, eu me peguei pensando que o sexo pelo sexo, no fim das contas, não era nada - na verdade, cheguei a conclusão que o sexo, em si, representa apenas 1% nas profundezas do relacionamento à dois. Importa, de verdade, o que vem antes, nas preliminares, quando a vontade de ser o outro agiganta-se em carinhos a fim de fazer explodir a pequena morte tão desejada.
Toda essa reflexão, acreditem, nasceu depois que eu assisti ao dicotomicamente amado e odiado 50 tons de cinza. Eu já tinha ouvido toda sorte de comentários. Tanto os femininos quanto os masculinos. Ouvi que era uma cartilha do sexo; que era uma alienação machista, que transformava as mulheres em objetos sexuais; que mulheres só se interessam por caras com dinheiro; que o filme prometia sexo e não oferecia nada, apenas o característico "moído" feminino (palavras do meu irmão). Eu, entretanto, ainda não havia formulado minhas próprias conclusões. Não li o livro e não havia assistido ao filme, então concluí que não seria certo tecer críticas sem eu mesma avaliar a história.
A cena foi engraçada. Começamos, eu e o marido, a assistir a um filme que, ao meu ver, mostrava-se muito erótico. De repente, chegaram meu irmão e a namorada e, em poucos minutos, meu pai sentou-se na sala. Assistimos, então, em família, a um dos filmes mais polêmicos da história cinematográfica (exagero meu. Licença poética, tá?!). Enquanto eu assistia ao filme e ouvia, ao fundo, os comentários revoltados do meu irmão, eu comecei a lembrar de um documentário da Discovery Channel, o qual assisti há muitos anos atrás. O doc falava justamente sobre sexo e erotismo e o que, no frigir dos ovos, chamava a atenção de machos e fêmeas, homens e mulheres, na hora da conquista. A conclusão, em todos os casos, foi exatamente a mesma.
Passarinhos, leões, tigres, elefantes, macacos, colhinhos, gatos, cachorros e, inclusive, o próprio ser humano têm uma relação muito profunda com o poder. Não falo do poder financeiro, visto que instintivamente o dinheiro não conta, mas do poder exalado pelo macho no processo de conquista da fêmea. Em todas as relações, sejam entre bichos ou seres humanos, o macho mais forte prevalece. A explicação é científica: inconscientemente a fêmea escolhe o macho que considera mais forte por uma série de decisões biológicas tomadas antes mesmo de ela nascer - o macho mais forte terá os melhores genes, aqueles que garantirão a perpetuação da espécie; o macho dominante será o mais propenso a protege-la dos perigos do dia a dia; o macho mais forte será o mais capacitado para proteger a prole e garantir a sobrevivência de todos.
Conosco, seres humanos, essa capacidade de perpetuação da espécie e de garantia dos melhores genes está intrinsecamente ligada a existência de um poder econômico ou à capacidade mostrada pelo macho de evoluir e, assim, garantir uma boa vida para a família. Já estou até ouvindo os gritos e xingamentos, mas, no fim das contas, trabalhadoras ou não, o que toda mulher procura é um cara que lhe traga segurança - e a segurança financeira aparece no topo desta lista. Desculpem a sinceridade - é que depois dos trinta eu deixei de ser hipócrita.
Voltando ao filme: o que eu vi foi justamente isso: um cara que exalava poder e conquistou a mulher, E me atirem pedras as mulheres que nunca suspiraram por um homem de terno; nunca tremeram nas bases quando um homem mais viril as fitou, avidamente; quando um homem realmente poderoso teve a audácia de corteja-la e a fez sentir a mulher mais foda de todas. Por favor, né?! Sem hipocrisia. No mais recôndito das fantasias, homens e mulheres sonham com parceiros poderosos, viris, sensuais, audaciosos e que os coloquem em pedestais. Afinal, isso é fantasia, gente! #pelamordedeus!
O bom da fantasia, no entanto, é o fato de ela jogar uma fagulhazinha na realidade e depois esvair-se no ar, deixando na boca o gosto doce dos beijos do seu parceiro. É o fato de ela deixar a vida mais divertida, porque a rotina cansa e mata qualquer relacionamento. A fantasia joga a medida certa de pimenta no dia a dia de duas criaturas que se complementam. E, eu digo a vocês: sou totalmente a favor das fantasias vividas a dois, com liberdade sexual entre marido e mulher e autonomia para mostrar ao outro o que é bom de verdade. E essa coisa de ser livre no sexo ganha espeço quando não sobram argumentos pudicos entre quem se ama e se quer.
Como diz Rita Lee: Sexo é imaginação, fantasia....... é poesia!
Toda essa reflexão, acreditem, nasceu depois que eu assisti ao dicotomicamente amado e odiado 50 tons de cinza. Eu já tinha ouvido toda sorte de comentários. Tanto os femininos quanto os masculinos. Ouvi que era uma cartilha do sexo; que era uma alienação machista, que transformava as mulheres em objetos sexuais; que mulheres só se interessam por caras com dinheiro; que o filme prometia sexo e não oferecia nada, apenas o característico "moído" feminino (palavras do meu irmão). Eu, entretanto, ainda não havia formulado minhas próprias conclusões. Não li o livro e não havia assistido ao filme, então concluí que não seria certo tecer críticas sem eu mesma avaliar a história.
A cena foi engraçada. Começamos, eu e o marido, a assistir a um filme que, ao meu ver, mostrava-se muito erótico. De repente, chegaram meu irmão e a namorada e, em poucos minutos, meu pai sentou-se na sala. Assistimos, então, em família, a um dos filmes mais polêmicos da história cinematográfica (exagero meu. Licença poética, tá?!). Enquanto eu assistia ao filme e ouvia, ao fundo, os comentários revoltados do meu irmão, eu comecei a lembrar de um documentário da Discovery Channel, o qual assisti há muitos anos atrás. O doc falava justamente sobre sexo e erotismo e o que, no frigir dos ovos, chamava a atenção de machos e fêmeas, homens e mulheres, na hora da conquista. A conclusão, em todos os casos, foi exatamente a mesma.
Passarinhos, leões, tigres, elefantes, macacos, colhinhos, gatos, cachorros e, inclusive, o próprio ser humano têm uma relação muito profunda com o poder. Não falo do poder financeiro, visto que instintivamente o dinheiro não conta, mas do poder exalado pelo macho no processo de conquista da fêmea. Em todas as relações, sejam entre bichos ou seres humanos, o macho mais forte prevalece. A explicação é científica: inconscientemente a fêmea escolhe o macho que considera mais forte por uma série de decisões biológicas tomadas antes mesmo de ela nascer - o macho mais forte terá os melhores genes, aqueles que garantirão a perpetuação da espécie; o macho dominante será o mais propenso a protege-la dos perigos do dia a dia; o macho mais forte será o mais capacitado para proteger a prole e garantir a sobrevivência de todos.
Conosco, seres humanos, essa capacidade de perpetuação da espécie e de garantia dos melhores genes está intrinsecamente ligada a existência de um poder econômico ou à capacidade mostrada pelo macho de evoluir e, assim, garantir uma boa vida para a família. Já estou até ouvindo os gritos e xingamentos, mas, no fim das contas, trabalhadoras ou não, o que toda mulher procura é um cara que lhe traga segurança - e a segurança financeira aparece no topo desta lista. Desculpem a sinceridade - é que depois dos trinta eu deixei de ser hipócrita.
Voltando ao filme: o que eu vi foi justamente isso: um cara que exalava poder e conquistou a mulher, E me atirem pedras as mulheres que nunca suspiraram por um homem de terno; nunca tremeram nas bases quando um homem mais viril as fitou, avidamente; quando um homem realmente poderoso teve a audácia de corteja-la e a fez sentir a mulher mais foda de todas. Por favor, né?! Sem hipocrisia. No mais recôndito das fantasias, homens e mulheres sonham com parceiros poderosos, viris, sensuais, audaciosos e que os coloquem em pedestais. Afinal, isso é fantasia, gente! #pelamordedeus!
O bom da fantasia, no entanto, é o fato de ela jogar uma fagulhazinha na realidade e depois esvair-se no ar, deixando na boca o gosto doce dos beijos do seu parceiro. É o fato de ela deixar a vida mais divertida, porque a rotina cansa e mata qualquer relacionamento. A fantasia joga a medida certa de pimenta no dia a dia de duas criaturas que se complementam. E, eu digo a vocês: sou totalmente a favor das fantasias vividas a dois, com liberdade sexual entre marido e mulher e autonomia para mostrar ao outro o que é bom de verdade. E essa coisa de ser livre no sexo ganha espeço quando não sobram argumentos pudicos entre quem se ama e se quer.
Como diz Rita Lee: Sexo é imaginação, fantasia....... é poesia!
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